Mães atípicas da Polícia Civil conciliam profissão e cuidado familiar
Servidoras enfrentam desafios da maternidade atípica enquanto atuam na segurança pública em Roraima
Por Direção Jornalistica
10/05/2026 - 10h23
Conciliar a rotina da segurança pública com os desafios da maternidade já exige dedicação intensa. Para mães atípicas que atuam na Polícia Civil de Roraima, essa missão ganha ainda mais complexidade diante da necessidade de cuidados contínuos com filhos diagnosticados com transtornos do neurodesenvolvimento.
Neste Dia das Mães, servidoras da Polícia Civil compartilharam histórias marcadas por desafios emocionais, superação e dedicação integral aos filhos, ao mesmo tempo em que seguem exercendo funções ligadas à proteção da sociedade.
A agente de polícia Carmen Lúcia de Araújo revelou que precisou reorganizar completamente a vida após o diagnóstico do filho com Transtorno do Espectro Autista, TDAH e deficiência intelectual.
Segundo ela, o processo ocorreu em um período em que o tema ainda era pouco debatido, o que aumentou as dificuldades na busca por informação e acompanhamento adequado.
Durante a pandemia da covid-19, Carmen também enfrentou a perda do marido, policial militar vítima da doença, assumindo sozinha os cuidados integrais com o filho.

“Ser mãe atípica e policial é viver duas missões intensas, ambas guiadas pelo amor e pela responsabilidade”, afirmou.
Ela destacou ainda que a maternidade fortaleceu sua sensibilidade e ampliou sua capacidade de acolhimento também no ambiente profissional.
A escrivã de polícia Elane Lima, mãe de duas filhas, sendo uma delas diagnosticada com autismo nível 2 de suporte, TDAH e ansiedade elevada, relatou os desafios enfrentados na busca por diagnóstico e tratamento.
“Ser mãe atípica é viver uma rotina intensa, cansativa e, muitas vezes, solitária. Mas, acima de tudo, é uma missão de amor”, declarou.
Segundo a servidora, a rotina inclui acompanhamento terapêutico, adaptações na educação, cuidados emocionais e dedicação permanente ao desenvolvimento da filha.
Outra história compartilhada foi a da escrivã Ezelina Araújo da Silva, lotada no 1º Distrito Policial. Mãe de três filhos, ela acompanha de perto o desenvolvimento do filho mais velho diagnosticado com autismo e TDAH, além de outros dois filhos com transtorno de déficit de atenção.
Ela relembrou que, há cerca de duas décadas, havia pouca informação disponível sobre os transtornos do neurodesenvolvimento, o que dificultava o entendimento familiar sobre os comportamentos apresentados pelas crianças.
“O diagnóstico trouxe respostas e permitiu que nossa família pudesse buscar o acompanhamento necessário”, relatou.
Segundo Ezelina, equilibrar a carreira policial com consultas, terapias, escola e atividades complementares exige organização constante e resistência emocional.
A delegada-geral da Polícia Civil de Roraima, Simone Arruda do Carmo, também comentou sobre os desafios enfrentados pelas mães policiais e ressaltou a importância do acolhimento tanto na profissão quanto na vida familiar.
“As vítimas precisam de acolhimento, e a mãe, por essência, sabe acolher”, destacou.
Ela afirmou ainda que as servidoras representam diariamente compromisso, proteção e cuidado dentro e fora do ambiente profissional.
As histórias evidenciam a realidade de mulheres que conciliam maternidade atípica, segurança pública e vida familiar, enfrentando desafios permanentes com dedicação, sensibilidade e perseverança.
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Equipe Editorial – Roraima TV
Produção: Luiz Otavio.






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