Roraima inaugura primeiro Centro de Radioterapia e inicia atendimentos
Unidade anexa ao Hospital Geral de Roraima tem capacidade para atender de 70 a 80 pacientes por dia e reduz a necessidade de viagens para tratamento oncológico fora do Estado.
Roraima inaugurou nesta quarta-feira (14) o primeiro Centro de Radioterapia do Estado. Anexa ao Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento (HGR), em Boa Vista, a unidade recebeu autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e iniciou os atendimentos, permitindo que pacientes oncológicos realizem o tratamento sem precisar viajar para outros estados.
Com capacidade prevista para atender de 70 a 80 pacientes por dia, o centro representa uma mudança na assistência oncológica oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Roraima. A estrutura recebeu investimento de R$ 16.970.310,58, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, e do Governo de Roraima, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau). A Universidade Federal de Roraima (UFRR) participou do projeto com a doação do terreno.
Tratamento mais perto de casa
Antes da implantação do serviço, pacientes que necessitavam de radioterapia precisavam se deslocar para outros estados para dar continuidade ao tratamento contra o câncer.
Segundo levantamento da Sesau, aproximadamente 700 pessoas estavam em tratamento por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD) entre 2025 e 2026. Desse total, cerca de 70% precisavam exclusivamente de radioterapia. A estimativa era de que aproximadamente 500 moradores deixassem Roraima por ano para realizar o procedimento.
Em 2025, os gastos estaduais com o atendimento de pacientes que precisaram fazer radioterapia fora de Roraima ultrapassaram R$ 2,8 milhões. Em 2026, até agosto, as despesas superaram R$ 822 mil.
Com o início dos atendimentos no Estado, a expectativa é diminuir a necessidade de deslocamentos para esse tipo de tratamento. Além da redução dos custos com viagens, a oferta local permite que os pacientes permaneçam próximos de familiares e de suas redes de apoio durante uma etapa delicada do tratamento.
Demanda inicial e transporte de pacientes
No início das atividades, 56 pacientes aguardavam atendimento para radioterapia. A capacidade diária prevista para a unidade permite atender a demanda inicial, mas o ritmo de redução da fila dependerá da entrada de novos pacientes, da duração dos tratamentos e da organização dos agendamentos.
Durante a inauguração, também foram entregues dois ônibus destinados ao transporte de pacientes residentes em outros municípios. Os veículos deverão facilitar o acesso ao serviço para pessoas que vivem longe de Boa Vista.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, há custeio federal previsto para o deslocamento de pacientes e acompanhantes, conforme os critérios aplicáveis. A medida busca contribuir para que moradores do interior também consigam chegar ao tratamento.
Pacientes poderão realizar sessões em Boa Vista
A paciente Simone Leal, de 48 anos, descobriu o câncer de mama em setembro de 2025, após realizar uma mamografia. Ela iniciou o acompanhamento no Centro de Referência em Saúde da Mulher (CRSM), passou por cirurgias e recebeu encaminhamento para radioterapia.
Como o procedimento ainda não estava disponível em Roraima, Simone precisou aguardar uma vaga para realizar o tratamento fora do Estado. Com o início dos atendimentos na nova unidade, ela poderá fazer as sessões em Boa Vista, perto da família.
Para pacientes que precisam de várias sessões, a possibilidade de permanecer na própria cidade pode reduzir as dificuldades logísticas e o afastamento do convívio familiar durante o tratamento.
Como funciona a radioterapia
O atendimento começa com o encaminhamento feito por um oncologista. No Centro de Radioterapia, o médico radioterapeuta avalia o caso e solicita os exames necessários para definir o planejamento individualizado.
Uma tomografia permite obter imagens da região que receberá a radiação. Com base nesses dados, a equipe estabelece os parâmetros do tratamento, que é realizado por meio de um equipamento chamado acelerador linear.
A quantidade de sessões varia conforme o tipo de câncer, o estágio da doença, a condição clínica do paciente e a técnica indicada. Os protocolos podem incluir cinco, 15, 20 ou até 30 dias úteis de sessões.
O acompanhamento também pode envolver profissionais de diferentes áreas, como nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas, conforme as necessidades de cada paciente.

Estrutura e tecnologias disponíveis
O Centro conta com recepção e sala de espera, área administrativa, três consultórios de triagem, sala de curativos, sala de moldes e oficina de blocos, sala de recuperação e ambientes destinados ao planejamento e à física médica.
A estrutura inclui ainda um bunker para instalação do acelerador linear, sala de comando e três ambientes de apoio.
Entre as técnicas previstas estão a Radioterapia Conformacional Tridimensional, a Radioterapia de Intensidade Modulada, a Terapia por Arco Modulado Volumétrico e a braquiterapia. A indicação depende do tipo e do estágio do câncer, com planejamento voltado à aplicação precisa da radiação na região tratada e à preservação dos tecidos saudáveis.
A teleterapia poderá ser utilizada no tratamento de diferentes tipos de câncer, incluindo os de mama, cabeça e pescoço, tórax, útero e próstata. Já a braquiterapia tem aplicação importante em casos como o câncer do colo do útero.
A equipe inicial é formada por 12 profissionais especializados: dois médicos radioterapeutas, dois físicos médicos e oito técnicos especializados em radioterapia. Antes da abertura, os profissionais passaram por capacitação técnica e treinamento em radioproteção.

Histórico da implantação
Roraima aderiu ao Plano de Expansão da Radioterapia no SUS em 2012. Os projetos básico e executivo da unidade foram registrados em 2017, e a obra teve licitação e ordem de serviço em 2018.
Em 2019, os trabalhos foram paralisados após problemas relacionados ao projeto arquitetônico e ao contrato da empresa responsável. Em janeiro de 2024, a Sesau ingressou com ação judicial para reintegração de posse do imóvel, que havia sido ocupado irregularmente. A desocupação ocorreu em 5 de junho daquele ano. No mesmo mês, foi assinada uma nova ordem de serviço para a retomada da obra por outra empresa.
Em julho de 2025, chegaram os equipamentos de radioterapia e braquiterapia, quando a obra estava com 86% de conclusão. Em novembro, a execução física alcançou 97%. Depois da conclusão da estrutura, foram realizadas a instalação dos equipamentos, a capacitação das equipes e as etapas técnicas e regulatórias necessárias à abertura.
Com a autorização para funcionamento e o início dos atendimentos, Roraima passa a oferecer radioterapia na rede pública estadual, ampliando as possibilidades de tratamento oncológico no próprio território.
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Equipe Editorial – Roraima TV




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